SÃO FÉLIX


Resenha histórica da paróquia

Fig. 1

Fig. 2

Fig. 3

Fig. 4

A PARÓQUIA

O povoamento desta paróquia é antiquíssimo, provavelmente é anterior ao séc. VIII. Mais tarde os territórios da paróquia de São Félix aparecem na posse de mosteiros, seja por doação, seja por venda. Nomeadamente dos mosteiros de Pedroso (Gaia), do São João de Tarouca e de São Cristóvão de Lafões.

Em 1320 são Félix já era Paróquia.

São Félix foi uma vicararia da apresentação da Universidade e eram seus donatários os duques de Lafões. A freguesia é de instituição paroquial relativamente recente, posterior ao séc. XIV.

Nos inícios do séc. XII as paróquias da região de Lafões faziam parte do Arciprestado de Lafões pertencendo São Félix à paróquia de São Pedro do Sul. É atualmente composta pelos lugares de: Aido de Cima, Alvarinho, Casal, Casal Bom, Casal de Matos, Casal de Nespereira, Costa, Eiró, Entroncamento, Fontão, Igreja, Loureiro, Mondelos, Mouta, Regadas, Sacados, São Félix e Vila Nova. E como nome indica o seu padroeiro é São Félix, do qual falaremos mais adiante.

Existe nesta paróquia uma Irmandade do Santíssimo Sacramento fundada em 1703 cujos estatutos foram reformulados em 1884.

O primeiro registo escrito da nossa paróquia data do 2 de Janeiro de 1634 e diz respeito ao baptismo do bébé Paulo Amansel, filho de Bento Solameu e de Beatriz Ribeiro de (?), naturais desta paróquia, tendo sido padrinhos Álvaro Cardoso e Maria António Pires de Deus naturais de Souto Dufo, Vila Maior (Fig. 1).

Temos também o primeiro registo de óbito no Domingo de Ramos de 1635 (Fig. 2)

Porque é que os registos paroquiais aparecem tão tardiamente?

A obrigação de se manterem registos paroquiais em todas as igrejas surge a 11 de Novembro de 1563, na XXIV sessão do Concílio de Trento que decretou: "Terá o pároco um livro, no qual escreverá o nome dos esposos, e das testemunhas, e odia e luga em que o matrimónio se contrai, cujo livro guardará em seu poder com cuidado"

Só uns séculos mais tarde, com o Decreto de 16 de Maio de 1832 é que surge a tentativa de criar um Registo Civil em Portugal independente da Igreja Católica, estendendo aos cidadãos não-católicos o direito de registo. A vantagem de reconhecer o registo paroquial, pelo Decreto de 19 de Agosto de 1859, levou á imposição de uma estrutura uniforme, que ajudou a melhorar significativamente o mesmo.

https://www.radiovizela.pt/opiniao-livros-e-abades-paroquiais-autor-julio-cesar-ferreira

QUEM É SÃO FÉLIX?

São Félix e Santo Adauto, São Félix de Nola? Ou outro?

O nome Félix já diz tudo, Bem‐aventurado ou Feliz


São Félix e Adauto-Mártires

Segundo algumas crenças populares o nosso padroeiro seria o São Félix martirizado com seu companheiro (irmão) Adauto

Poucos são os registros encontrados sobre Félix e Adauto, que são celebrados juntos no dia de hoje. As tradições mais antigas dos primeiros tempos do cristianismo narram-nos que eles foram perseguidos, martirizados e mortos pelo imperador Diocleciano em 287 ou 303.

Irmãos mártires do III século, associados no mesmo culto.

Félix, sacerdote romano, arrancara uma árvore sagrada que, ao cair destruiu um altar pagão. Por isso, o Prefeito fê‐lo decapitar com o seu irmão que os cristãos não sabiam como se chamava e que exigiu seguir Félix no seu martírio. E deram‐lhe o nome de adauctus ou agregado, pois que se juntara a Félix, a fim de receber também a coroa do martírio e que nenhum dos presentes sabia o nome. Estes dois Santos fora Diocleciano (244‐311), em 287 ou 303. Celebrados a 30 de Agosto.

São Félix de Nola-Confessor

Por outro lado, no meio de vários santos chamados São Félix sobressai são Félix de Nola pelos atributos de que falarei mais à frente.

Nasceu no terceiro século, em Nola, perto de Nápoles, Itália

Filho mais velho de Hérmias, um soldado sírio que se tinha retirado para Nola. Após a morte de seu pai, Félix vendeu todos os seus bens e deu para os pobres e passou a seguir a sua vocação clerical. Ordenado sacerdote pelo bispo Máximo de Nola.

Durante as perseguições do Imperador Décius, o velho bispo ajudado por Félix fugiu para as montanhas e Félix foi preso, açoitado, carregado de correntes e trancado no calabouço cujo piso estava cheio de vidros.

Entretanto, o Anjo do Senhor apareceu-lhe e lhe ordenou ir em auxílio de seu Bispo, que estava quase morto de fome e de frio. Frente a sua incapacidade de fazer voltá-lo a si, o Santo recorreu à oração e no lugar apareceu uma parreira de uvas, cujas gotas derramou sobre os lábios do mestre, que recuperou a consciência sendo conduzido em seguida a sua Igreja.

Félix escondeu Máximo em uma casa abandonada. Diz ainda a tradição que quando os dois estavam seguros dentro desta velha casa uma aranha rapidamente teceu uma enorme teia sobre a porta de modo que todos pensassem que a casa estava abandonada há tempos.

Os soldados imperiais por lá passaram e não entraram devido a enorme teia e os dois cristãos ficaram assim seguros lá dentro.

Com a morte de Décio em 251 as autoridades encerraram as perseguições aos cristãos.

Após a morte do Bispo Máximo, Félix foi escolhido para ser o bispo de Nola, mas recusou a favor de Quintus um padre mais antigo e mais experiente.

Félix passou a explorar a sua pequena fazenda e dava tudo que nela produzia para os pobres e doentes. A pouca informação que temos sobre São Félix vem de cartas e poesias que enviava para São Paulino de Nola, que serviu como um porteiro na igreja dedicada a São Félix e que reuniu informações sobre ele dos peregrinos e dos paroquianos e mais tarde escreveu uma espécie de biografia de São Félix de Nola.

Félix faleceu em 255 de causas naturais, mas é normalmente listado como mártir, devido as torturas e privações de que foi vitima durante as perseguições aos cristãos.

Seu túmulo tornou-se local de peregrinações e vários milagres foram creditados à sua intercessão.

Ele é invocado contra doenças nos olhos e picadas de insetos.

Do ponto de vista iconográfico o santo que se aproxima mais da imagem retratando S. Félix na nossa paróquia seria São Félix de Nola que se comemora a 7 de Janeiro o que não corresponde à data em que celebramos o nosso patrono a qual corresponde à de São Félix e Adauto. No entanto a iconografia deste santo aproxima.se muito da imagem representando o nosso padroeiro. É apresentado com vestes sacerdotais (fig. 3), segurando um livro na mão esquerda (fig. 4), um tinteiro e pena na mão direita (fig. 5) como se apresenta na imagem presente na nossa igreja paroquial. O tinteiro poder-se-á ter perdido nalgum acidente ou restauração anteriores. Um elemento que conforta a ideia de que o nosso padroeiro é São Félix de Nola é a assinatura de um frade que se assina Frei São Vicente Noles (adj. no nomitativo do singular masc. noles/nolente - o que é de Nola) (Fig. 6), podendo a adição de Nola ao seu nome uma forma de honrar o São Félix.

Se dúvida persiste poucas são aquelas quanto ao nosso padroeiro se chamar Félix, o feliz, mas o importante é reconhecermos o valor de santidade dado aos santos, qualquer que seja o São Félix.

Bibliografia:

  • Lafões-Correia de Azevedo (Julho de 1958, pág. 170)
  • Lafões-História e Património-Jorge Adolfo M. Marques (Edições Esgotadas)
  • Processo de ordenação Heráldica - Junta de freguesia de São Félix
  • Flos sanctorum, Ribadeneyra 1790 / Louis Réau Iconografia del arte cristiano Tomo 2 /Volume 4 - tradução / adaptação MA

Fontes:

© 2017 Blog do Tiago. Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por Webnode
Crie o seu site grátis! Este site foi criado com a Webnode. Crie o seu gratuitamente agora! Comece agora